Parauapebas

Prestação de contas da Semed revela amadorismo do Governo Aurélio Goiano

Resumo do controle interno da Prefeitura de Parauapebas encaminhado ao TCM traz R$ 900 mil a mais em verbas federais que montante reportado no balanço da execução orçamentária. Chefa da CGM tira corpo fora em relação aos gastos do Fundeb e diz que “relatório não anula nem valida irregularidades não identificadas durante trabalhos de análise”. Recurso aumentou para R$ 330 milhões em 2025, mas educação conseguiu piorar e secretária acumula desgaste

Virou uma babel a gestão de Aurélio Goiano. E as consequências vão passar a ser sentidas assim que ele e sua atabalhoada equipe técnica deixarem a “mamata” na Prefeitura de Parauapebas — o que a população anseia que não tarde.

A nova é a prestação de contas da Secretaria Municipal de Educação (Semed), comandada pela advogada Maura Paulino, inexperiente perpétua em gestão pública e educação básica, além de ser considerada por servidores da pasta a pior gestora de todos os tempos.

A Semed entregou ao Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM-PA) o balanço do 3º quadrimestre de 2025 no último dia 29 de janeiro, referente ao Fundo Municipal de Educação (Fumep) e ao Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). O portal Notícias de Parauapebas teve acesso na íntegra ao documento e vai explorar alguns pontos curiosos ao longo dos próximos dias.

Na peça da prestação de contas do Fundeb, um relatório do controle interno cheio de erros gramaticais aponta que a receita do fundo — que se sustenta com recursos federais — teria sido de R$ 330.873.261,70 ao longo de 2025. O documento é assinado por Melina Caiado, controladora-geral do município, que, entretanto, adverte: “o relatório não anula nem valida irregularidades não identificadas durante os trabalhos de análise, tampouco isenta de quaisquer encaminhamentos administrativos e legais”.

O problema é que no Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) do 6º bimestre de 2025 as transferências do Fundeb somam R$ 329.973.590,92. O RREO é assinado a quatro mãos, tanto pela própria Melina, quanto pelo prefeito Aurélio Goiano, seu secretário Glauton de Sousa (Fazenda) e o contador Livaldo Leão (da assessoria contábil forasteira L de Leão).

A diferença de R$ 899.670,78 entre o que o controle interno de Melina Caiado encontrou nas contas do Fundeb, geridas por Maura Paulino, e o que a execução orçamentária registra precisa ser explicada.

Fundeb evaporou

É provável que o valor referente a esses quase R$ 900 mil se trate de remuneração por depósito bancário — noutras palavras, rendimento de juros sobre aplicação financeira de recursos do Fundeb. Sem apresentar transparência nas receitas arrecadadas, o governo de Aurélio Goiano dificulta o controle social. E é exatamente isso o que ele quer.

Vale ressaltar que o que a rede pública municipal de ensino recebeu em verbas federais do Fundeb ano passado é maior que a arrecadação de um ano inteiro de 4.380 prefeituras. Quase tudo foi consumido em salários, à exceção da Equatorial, que ficou com R$ 1.046.139,24 em pagamentos de contas de energia.

No frigir dos ovos, Maura Paulino não fez um mísero investimento sequer em educação com recursos do Fundeb, e Parauapebas está correndo sério risco de colher uma nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) que pode ser a pior de todos os tempos. Mas no governo atual a lógica é de que, “se tudo der certo, o mérito é nosso; se der errado, a culpa é deles [a gestão passada]”. E todo mundo já cansou dessa tática e da balela.