Parauapebas

CUIDADO! Aurélio Goiano vai processar quem chamá-lo de ‘Prefeito Pinóquio’

Ele entrou na justiça querendo R$ 40 mil do influenciador Jackson Lima, que divulga publicações com verdades inconvenientes, as quais se tornam virais. Prefeito também queria remoção das postagens, alegando atentado a sua honra. Mas juiz que analisou o caso não viu nada demais nas publicações. Em vez de ir tapar buracos, cuidar da saúde precária e da educação em decadência, prefeito segue gastando esforços com “tretas”, tentando intimidar e calar opositores, aumentando sua já alta rejeição

O homem endoidou. O prefeito Aurélio Goiano, autoproclamado “Doido”, que mentia várias vezes dizendo que não se incomodava com oposição, alegando que seus opositores “berram” por “falta de mamadeira”, mudou de postura. Agora, Aurélio Goiano está processando todo mundo que ousa criticá-lo publicamente. E se chamá-lo de “Pinóquio”, então, o bicho pega.

A mais recente vítima da investida do “Doido” é o influenciador digital Jakson Lima, que produz conteúdos irreverentes sobre as mazelas — principalmente nas áreas de infraestrutura e cidadania — deixadas em Parauapebas pela gestão de Aurélio Goiano e sua esculhambada equipe nada técnica.

Aurélio Goiano entrou com ação no Juizado Especial Cível e Criminal de Parauapebas pedindo R$ 40 mil por ter sido chamado de “Prefeito Pinóquio” em publicação de ampla repercussão de Jackson. Segundo o prefeito, que quer ser “famosinho” nas redes sociais, o influenciador lhe imputou conduta atentatória a sua honra, sem provas. 

A defesa do prefeito ainda alegou que tais publicações possuem amplo alcance e repercussão negativa, violando sua imagem, dignidade, reputação e função pública. Por isso, pediu, além de indenização, a retirada do ar dos conteúdos de Jackson Lima.

Negativa à censura prévia

Apesar da bobajada, o juiz Libério Henrique de Vasconcelos decidiu na semana passada, antes do feriado da Semana Santa, que Aurélio Goiano está exagerando na dose. De acordo com o magistrado, o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que suspender conteúdos jornalísticos ou de opinião veiculados em redes sociais, antes mesmo da análise detida de seu conteúdo, configura censura prévia, o que é vedado pela Constituição.

“As restrições à liberdade de expressão são reservadas apenas para casos extremos, em que o exercício abusivo deste direito cause violação à dignidade da pessoa humana, como ocorre em situações de racismo, sexismo, homofobia ou outros discursos de ódio”, explica o juiz, adicionando que a defesa de Aurélio Goiano não apresentou elementos suficientes que demonstrem abuso na liberdade de expressão por parte de Jackson capaz de justificar a restrição imediata das postagens.

Essa é a enésima tentativa do prefeito de calar opositores, sejam eles cidadãos comuns, do campo político ou da imprensa. 

Prioridade: caçar confusão 

Em vez de se preocupar em tapar os buracos da cidade de Parauapebas, que estão mais evidentes que crateras lunares; em cuidar da saúde, para evitar mortes de pacientes no Hospital Geral de Parauapebas; em melhorar a qualidade do ensino, que não decola sequer nas propagandas enganosas; e em combater a pobreza de forma efetiva, sem assistencialismo de distribuição pontual de peixes, o prefeito gasta tempo, energia e recursos tentando intimidar e silenciar cidadãos de bem que criticam, com fundamento, sua péssima gestão.

Em um governo com alta taxa de letalidade — mulheres morrendo nos hospitais, trabalhadores morrendo em buracos, crianças morrendo por meningite —, o prefeito deveria sentir-se no lucro por ser chamado simplesmente de “Pinóquio”, personagem famoso no mundo infantil. Talvez se o comparativo tivesse sido feito com personagens de conhecidos filmes de terror, Aurélio nem sentisse tanto. Parauapebas, com seu horror de buracos e desmandos administrativos, já se tornou cenário perfeito para um enredo macabro.