Parauapebas

Governo Aurélio Goiano sob fogo cruzado: Câmara aprova repúdio por “manobras” no Conselho da Mulher e farra de contratos temporários

A temperatura subiu na Câmara Municipal de Parauapebas na última sessão de terça-feira (28). O que se viu foi um Legislativo em pé de guerra contra as recentes decisões do prefeito Aurélio Goiano, o “Doido”. Entre moções de repúdio e discursos inflamados, os vereadores escancararam o que chamam de desmonte do controle social e falta de planejamento administrativo, com destaque para o silenciamento das mulheres e a substituição de concursos públicos por contratações precárias.

Golpe na representatividade feminina? A vereadora Maquivalda Barros (PDT) não poupou críticas ao denunciar o que considera uma tentativa de enfraquecer o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM). Pela terceira vez, a eleição para o conselho foi adiada, empurrando a renovação da sociedade civil para um nebuloso junho de 2026, sem data marcada.

Mas a revolta não para no atraso. Maquivalda botou o dedo na ferida ao repudiar o Projeto de Lei nº 155/2026, uma manobra do Executivo para expulsar a Câmara Municipal do conselho e colocar em seu lugar a Secretaria de Desenvolvimento (Seden). Para a parlamentar, a medida é clara: o governo quer retirar quem fiscaliza para colocar quem obedece, reduzindo a pluralidade e ferindo a legitimidade da luta feminina em Parauapebas.

A “Fábrica de PSS” e o abandono do mérito Outro golpe na gestão municipal veio do vereador Zé do Bode (União). O parlamentar apresentou uma moção de repúdio contra a omissão do prefeito em realizar concursos públicos. Segundo a denúncia, o governo transformou o Processo Seletivo Simplificado (PSS) — que deveria ser usado apenas em emergências — na regra principal de contratação.

Os números assustam: em março de 2026, a prefeitura já contava com um exército de 11.787 servidores, a grande maioria em vínculos temporários e sem a estabilidade do concurso. Zé do Bode lembrou que o próprio STF veda essa “solução de improviso” quando a necessidade de pessoal é permanente. Para o vereador, a gestão Goiano prefere manter servidores sob o braço da precariedade em vez de investir em planejamento e meritocracia, ignorando as decisões das instâncias superiores de Justiça.

O recado das urnas (e do plenário) As aprovações das moções de repúdio enviam um sinal nítido: a base de apoio do governo está rachando diante de medidas que privilegiam o controle político em detrimento da eficiência administrativa. Enquanto o governo tenta concentrar poder no Executivo e inflar a folha de pagamento com contratos temporários, a Câmara sinaliza que não aceitará passivamente o enfraquecimento das instituições e dos direitos sociais. Em Parauapebas, a festa das contratações parece estar chegando à hora do acerto de contas.