Parauapebas

Governo do ‘Doido’ enrola servidores temporários para evitar pagar salário em janeiro

 

Milhares de pais de família que trabalham em funções diversas da administração municipal ficaram “rodados”, sem saber se e quando vão voltar ao posto. Situação é pior na bagunçada educação, onde serviços gerais, motoristas, monitores de transporte escolar e assistentes pedagógicos foram dispensados e não têm esperança. Trupe de Aurélio Goiano quer assinar contrato após 19 de janeiro.

Não há paz em Parauapebas. A bomba do governo Aurélio Goiano e sua decadente equipe técnica vai, desta vez, para o colo dos trabalhadores temporários do Poder Executivo municipal, servidores sensíveis da administração pública por terem vínculos precários.

Sem ter competência de iniciar e concluir um Processo Seletivo Simplificado (PSS) honesto, decente e melhor que o da gestão anterior, o autodenominado “Doido” e sua trupe decidiram, por conta própria, acabar com os vínculos de PSS vigentes em 2025, afrontando até mesmo a justiça. O que se viu, depois, foi um festival de contratações diretas de pessoal, ao arrepio da lei.

Todos os contratos que o governo de Aurélio Goiano fez expiraram em 31 de dezembro de 2025, mas uma pergunta ficou no ar: e agora? A inquietação para milhares de pais de família esbarra na omissão e na falta de escrúpulos de uma gestão que não se compadece com o sofrimento dos mais humildes e cuja remuneração é até 80% inferior à de um puxa-saco com “distintivo” de assessor especial.

O Poder Executivo municipal tinha 5.851 servidores temporários no final do ano, distribuídos na Prefeitura de Parauapebas (5.489) e no Serviço Autônomo de Água e Esgoto (362). Segundo informações extraoficiais repassadas ao portal Notícias de Parauapebas, 80% desses servidores — algo em torno de 4.680 — ainda não assinaram contratos e nem sabem se vão assinar, dado o grau de desorganização da atual gestão.

Plano diabólico do ‘Doido’

A ideia da bagunçada equipe técnica de Aurélio Goiano é gerar contratos temporários para serem assinados a partir do dia 19 de janeiro, quando, tecnicamente, não será mais possível ao servidor entrar na folha de pagamento deste mês. Desse modo, a Prefeitura de Parauapebas, que está com rombo nas contas e devendo dezenas de milhões a forasteiros, teria o caixa parcialmente aliviado.

A medida tem foco, sobretudo, na educação, onde o ano letivo é previsto para começar apenas no dia 22 de janeiro, uma quinta-feira. A desorganização administrativa e financeira na Secretaria Municipal de Educação (Semed) é tamanha que até lá motoristas, monitores de transporte escolar, merendeiras e assistentes pedagógicos não sabem se e quando vão voltar.

A não renovação de 80% dos 5.851 contratos temporários neste início do ano implica alívio de cerca de R$ 24 milhões na folha de pagamento de janeiro. Não fosse isso, o Poder Executivo municipal teria de desembolsar cerca de R$ 98 milhões em despesa com pessoal.

Só tem vez quem puxa saco

Mas os puxa-saco de Aurélio Goiano, servidores ocupantes de cargos comissionados, não sofrerão do mesmo mal que os trabalhadores temporários. Eles — que estão em cargos de secretários, adjuntos, assessores especiais, assessores jurídicos e coordenadores — são livremente nomeados ou exonerados pelo prefeito, e assim entraram de um ano para outro sem serem incomodados.

Parte deles até ironiza que os trabalhadores temporários “não souberam fichar” na prefeitura, a ponto de ficar imune ao purgatório das demissões. Por outro lado, a tentativa desesperada de esperteza da destrambelhada equipe técnica de Aurélio Goiano pode sair cara demais.

É que, ao quebrar o contrato temporário dos trabalhadores, a gestão vai ter de pagar rescisão a milhares deles. Assim, ainda que dê golpe em milhares de pais de família agora, contratando-os apenas após o fechamento da folha de janeiro, o perverso governo de Goiano não escapará de, em fevereiro ou março, pagar as rescisões junto ou separado da folha normal. O golpe na boa fé e na necessidade do trabalhador pode sair como tiro no pé.