Ex-caititu virou onça e está na boca do jacaré: demissão de Roginaldo Rebouças, o secretário dos buracos, é dada como certa nos próximos dias. Desesperado e com rejeição popular de mais de 83%, governo Aurélio Goiano teria cogitado ir buscar a salvação para sua náufraga gestão no seio do ex-prefeito Darci Lermen. Nomes fortemente ligados a Darci e que até processaram o “Doido” por difamação têm sido sondados para ocupar pastas. É o presente repetindo o passado
Tic-tac, tic-tac, tic-tac… A tal “equipe técnica”, que Aurélio Goiano vendeu no início do mandato como a última Coca-Cola do deserto, está se esfacelando, perdendo um membro a cada dia — para o bem da população de Parauapebas.
De acordo com informações repassadas por um integrante de alta plumagem da gestão do autodenominado “Doido”, o “jacaré” vai passar por estes dias em Roginaldo Rebouças, o criticado e incompetente Secretário de Obras, corresponsável pela maior crise de buracos da história da Capital do Minério.
Em apenas um ano e quatro meses no cargo, Roginaldo torrou absurdos R$ 236,65 milhões, sendo R$ 195,81 milhões em 2025 e R$ 40,84 milhões este ano até o momento. Sob comando dele, mais dinheiro já foi embora de Parauapebas que a arrecadação inteira de Rondon do Pará (R$ 217,35 milhões) em um ano. E tem mais: Reginaldo já usou mais dinheiro público de Parauapebas que, ao menos, 76 prefeitos paraenses.
Caititu se fantasiou de onça
Servidor concursado no cargo de engenheiro sanitarista da Prefeitura de Parauapebas, Roginaldo entrou no que a população chama de “desgoverno” de Aurélio Goiano se queimado de cara. Ele, que também é advogado, atuou no jurídico da campanha adversária a Aurélio e era tido como “caititu”. Paradoxalmente, ganhou de presente a Secretaria Municipal de Obras (Semob) para gerir após as eleições. O “caititu” se travestiu de “onça”, sob a coleira do “Doido”.
Com o rei na barriga e se julgando “o” técnico, Roginaldo logo meteu os pés pelas mãos, assinando um festival de dispensas de licitação e processos outros com “aroma” de irregularidades. Tornou-se parte rapidamente em denúncias no Ministério Público e em ações judiciais. Roginaldo disputa com a secretária de Educação, Maura Paulino, a liderança de quem é mais denunciado aos órgãos de fiscalização.
O ponto alto da gestão de Roginaldo foi o episódio da “ponte fantasma”, obra fake pela qual ele pagou R$ 1,5 milhão sem que a ponte jamais fosse encontrada na zona rural, onde deveria ter sido erguida para melhorar as condições de tráfego de milhares de campesinos. O episódio ficou conhecido até fora do Pará e se tornou motivo de piada, além de expor as vísceras da improbidade e da malversação escrachadas na administração municipal.
Novela ‘A próxima vítima’
A lista de nomes que devem ser limados no “desgoverno” é extensa. A próxima deve ser Maura, titular da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e que vem sendo intensamente criticada nas três últimas sessões da Câmara, tanto pela oposição quanto até mesmo pela base. Nesta terça, a Semed — e Maura — foi detonada pelos vereadores Anderson Moratório e Zé do Bode. E a próxima sessão também promete.
Bastante fiel ao “Doido”, Maura só estaria se segurando no cargo devido a acordos partidários. O apelido de “minha doutora”, na boca do “Doido”, hoje já não tem mais valor e, a esta altura dos acontecimentos, nem a secretária acredita mais nas palavras doces — e vãs — de seu sem futuro chefe.
Aurélio Goiano conseguiu trazer instabilidade geral em Parauapebas. Até mesmo entre o funcionalismo público, o clima é de constante apreensão: ninguém sabe qual vai ser o próximo golpe contra os servidores tampouco quem será o próximo a ser demitido “do nada”. Na cidade, a população convive com as bizarrices do prefeito e sua trupe e clama para que o Ministério Público e o Poder Judiciário tomem providências enérgicas.
Enquanto isso, o Doido corre para “comprar” adversários e silenciar opositores sem ao menos se dar conta de que está se colocando vulneravelmente de bandeja nas mãos dos aliados de momento. Aurélio não percebeu que seu império já ruiu. O rei está nu. Tic-tac, tic-tac, tic-tac…