Aurélio Goiano trocou o certo pelo duvidoso e desidratou a Semmect, que agora só existe para pagar salários, bancar diárias, custear passagens, manter aluguel caríssimo, pagar contas de água e luz e sustentar uns “contratinhos” que em nada melhoram a vida do cidadão. Mau uso de recursos públicos pelo que a população chama de “desgoverno” não resistiria à simples devassa de auditoria financeira
Se você pensa que o que está ruim não pode piorar, ainda não conhece a gestão do prefeito Aurélio Goiano, que se autoproclama “Doido”, e de seu ajudante de ordens Valdemir Nogueira, o “Negão do Ferro Velho”, atual secretário municipal de Mineração, Energia, Ciência e Tecnologia. A Semmect, gerida por eles, parou no tempo para tornar-se um antro de incompetência.
Tudo começou na escolha. Aurélio Goiano trocou este ano o secretário anterior, que até tinha perfil minimamente técnico, por um completo desconhecido no ramo da gestão pública em mineração ou energia, por exemplo. Em ciência e tecnologia, então, nem pensar: zero conhecimento.
Sob comando do “Doido” e de “Negão do Ferro Velho”, a pasta que deveria ser a mais atuante nestes tempos de crise financeira converteu-se em um verdadeiro elefante branco, sem ganhos extras com a mineração, sem resultados na qualidade da energia, sem investimentos em ciência, sem entrega de valor no ramo da tecnologia. E, por isso, sem prestígio.
Mas a “dupla dinâmica” conseguiu um feito inédito e incrível: torrar 65% dos recursos da secretaria com pagamento de servidores, fazendo da pasta um saltitante e festivo cabide de empregos. Dos 26 servidores da Semmect, aliás, apenas dez são concursados. Sete profissionais são contratados e outros sete são comissionados não estáveis, pagos para nada de relevante fazerem em benefício da cada vez mais sofrida população de Parauapebas. A conta fecha com o secretário e seu adjunto.
Salários, diárias e passagens
A folha até março foi de R$ 763 mil, sem contar as diárias. “Negão do Ferro Velho”, por exemplo, já passou sete dias fora, zanzando por Belém (3,5 diárias por R$ 1.750,00) e Brasília (outras 3,5 diárias por R$ 2.800,00). O secretário de Mineração, no entanto, nada de relevante ou revolucionário trouxe a Parauapebas, a não ser despesas com diárias e emissão de passagens, que, aliás, já custaram R$ 27 mil ao caixa da Semmect.
Enquanto Valdemir e Aurélio Goiano levam vida de sultões em meio ao caos, os demais 315 mil habitantes de Parauapebas assistem derrotados à “reconstrução” às avessas do município e à deterioração dos recursos públicos com despesas delirantes e sem futuro.
Por outro lado, a mineração, principal sustentáculo da economia local, segue em marcha a ré, com a multinacional Vale alvo de ataques públicos ou velados por um governo que já nasceu fracassado e que tenta terceirizar responsabilidades por não conseguir gerir Parauapebas. A Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), principal receita da prefeitura, segue em queda livre, e a perspectiva é de que caia à média mensal de R$ 20 milhões nos próximos quatro anos, o que será trágico para as finanças públicas locais.
Ainda assim, o “Doido” e “Negão do Ferro Velho” não conseguem pensar para médio prazo. Eles sabem que a oportunidade que estão tendo hoje, como prefeito e secretário, jamais baterá à porta de novo. É que a população, que chama a gestão de “desgoverno”, anda declarando aos quatro cantos que Aurélio Goiano e quem quer que ele indique não ganham mais em Parauapebas nem para presidente de associação. O povo, enfim, acordou.