Parauapebas

Aurélio Goiano e equipe técnica desdenham e deixam vereadores da base no vácuo

 

De um total de 254 requerimentos apresentados na Casa de Leis este ano, só 120 tiveram resposta do Poder Executivo. Desde 2021, lei municipal dá 15 dias para prefeito responder vereadores, e o próprio Aurélio Goiano, quando vereador, apoiou ideia. Hoje, ele descumpre e humilha base de apoio

A atual legislatura da Câmara de Parauapebas está entrando para os anais como a mais sem prestígio da história. Pelo menos, enquanto o prefeito Aurélio Goiano estiver no comando, mentorado por sua notavelmente incompetente equipe técnica.

Aurélio e sua trupe deitam e rolam, fazendo do presidente da Casa e de vereadores da base governista verdadeiros marionetes, com direito a serem sumariamente ignorados sempre que o prefeito acha oportuno. Para a maior parte da população, aliás, tem vereador que sequer sabe o que está fazendo ali.

A prova da falta de moral da atual configuração da Câmara é o vácuo que o prefeito Aurélio Goiano tem dado em vereadores da situação quanto às proposições que eles produzem, mais especificamente os requerimentos — e, diga-se de passagem, em vão. 

De um total de 254 requerimentos apresentados este ano e encaminhados ao gabinete do prefeito recordista em mentiras e imprecisões na fala, nem metade teve a devida satisfação, de acordo com o Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL) da Casa de Leis. Em número exato, apenas 120 requerimentos (47% do total) foram respondidos pelo Poder Executivo.

Apesar de os vereadores de oposição Zé do Bode (UB), Maquivalda Barros (PDT), Érica Ribeiro (PSDB) e Fred Sanção (PL) liderarem o número de pedidos de esclarecimentos, via Mesa Diretora, ao prefeito Aurélio Goiano, por possíveis desvios de conduta deste à frente do cargo, são os parlamentares da base os maiores prejudicados perante a população pelo desdém e pela falta de respeito de Aurélio Goiano à atividade legislativa.

O vereador Alex Ohana, por exemplo, é um dos mais atuantes da Casa quanto o assunto é produção legislativa. Em autoria solo, Ohana já apresentou 33 requerimentos, mas só obteve algum tipo de resposta do gabinete do prefeito para 13 proposições. Ou seja, levou vácuo em 20 matérias, muitas delas de extrema importância para o cidadão comum, como a implantação de cozinhas comunitárias e construção de escolas públicas.

Reis do blá-blá-blá

Aurélio Goiano, que hoje se sente um “rei” em Parauapebas, pode reclamar de tudo, menos de que o ex-prefeito Darci Lermen não tenha sido cobrado, e muito, pela sua então base de sustentação.

Foi devido à omissão de Lermen que a Câmara aprovou a Lei Municipal nº 4.979/2021, dando prazo de 15 dias para o Poder Executivo dar devolutiva ao parlamento sobre proposições apresentadas nas modalidades indicação e requerimento e encaminhadas pela Mesa Diretora. 

Darci até tentou barrar a medida, vetando o projeto de lei da então vereadora Eliene Soares, mas a Câmara abraçou a ideia, derrubou o veto e o então presidente Ivanaldo Braz promulgou a lei, o que levou o governo municipal à época a andar minimamente na linha. Aurélio Goiano, só para lembrar, fazia parte daquela legislatura e votou “Sim” ao projeto, que virou lei.

Mas bastou tornar-se prefeito para a postura do autoproclamado “Doido” mudar radicalmente. Era fácil ser pedra, mas ele tem dificuldades em ser vidraça, com seu teto frágil. Hoje Aurélio Goiano ignora a legislação municipal vigente, descredibilizando o seu “casca de bala”, o vereador Anderson Moratorio, presidente do legislativo municipal e “parceiro” de blá-blá-blá de Aurélio Goiano quando este se anunciava como então vereador de oposição à gestão de Darci.

Preço político alto

Aurélio venceu a disputa para a prefeitura, emplacou Moratório na presidência da Casa de Leis sem muito esforço, e este sucumbe, como recompensa, aos agonizantes desmandos e às irregularidades administrativas orquestradas pelo prefeito, para surpresa e decepção até mesmo dos mais ferrenhos apoiadores de Moratorio.

O presidente da Casa tem demonstrado que possui estômago de avestruz para engolir seco a quantidade de cambalachos protagonizados por Aurélio Goiano em áreas sensíveis, como educação, saúde e assistência social, com dispensas de licitação milionárias, tendo em vista que, no passado, o próprio Moratório e Aurélio faziam escarcéu por supostas falcatruas em dispensas de valores mínimos. A zoada era tudo de fachada ou Parauapebas hoje tem zero problema na gestão atual?

Não se sabe até quando e a que custo Anderson Moratorio vai aguentar calado assistir à destruição de Parauapebas, que o governo que ele apoia insiste — cada vez com mais vergonha — chamar de reconstrução. Mas uma coisa é certa: o preço político a pagar nas próximas eleições é alto porque os cidadãos locais já entenderam que Aurélio Goiano é prefeito de um só mandato. E quem andar com ele é bem provável que tenha a mesma sina.