Parauapebas

Manobra administrativa na SEMED deixa crianças com deficiência sem apoio em Parauapebas e usa decisão judicial para contratar apadrinhados

Sob o pretexto de cumprir ordem judicial para proteger alunos especiais, Secretária de Educação desvia finalidade da SEMED para salvar cargos de médicos, engenheiros, odontólogos, enfermeiros, nutricionistas, motoristas, assistentes sociais e jornalistas, enquanto joga 91 assistentes pedagógicos legítimos no olho da rua.

Mentiras, trambiques e o uso de cortinas de fumaça jurídica continuam sendo as marcas registradas do atual governo municipal.A mais nova afronta ao bolso do contribuinte e à legalidade administrativa foi desmascarada na Câmara Municipal de Parauapebas pela vereadora Maquivalda Barros (PDT). O Requerimento nº 283/2026 expõe as entranhas de uma manobra audaciosa arquitetada pela Secretária Municipal de Educação, Dra.Maura, que utilizou uma ordem da Vara da Fazenda Pública — desenhada exclusivamente para proteger alunos especiais — para contrabandear a estabilidade provisória de apadrinhados e profissionais com cargos completamente alheios à educação inclusiva.

O pano de fundo desta investida burocrática começou com a Ação Civil Pública nº 0805669-06.2026.8.14.0040, movida pelo Ministério Público do Estado do Pará.Diante de ameaças de exoneração em massa na pasta da educação, o Poder Judiciário interveio de forma cirúrgica para resguardar o Atendimento Educacional Especializado (AEE).Em audiência realizada no dia 8 de junho de 2026, o juízo determinou textualmente que os 1.088 profissionais de apoio educacional fossem mantidos em seus postos, proibindo que os cortes exigidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM/PA) recaíssem sobre as crianças com deficiência.

No entanto, o que deveria ser um ato de estrito cumprimento da lei transformou-se em palanque para mais um drible gerencial.Em vez de publicar a estabilização integral do quadro pedagógico protegido, a SEMED editou o Edital de Convocação nº 004/2026-SEMED sob a justificativa oficial de cumprir a ordem da Justiça.Contudo, ao puxar o fio do novelo nominal dos convocados, a fiscalização legislativa descobriu que, dos 313 servidores beneficiados pela “blindagem de demissão”, nada menos que 84 ocupam funções bizarras para o ambiente das salas de aula inclusivas.

O “Contrabando” de Cargos Estranhos e Fundos Fantasmas

A lista de beneficiados pela Dra. Maura soa como um deboche para os pais de alunos especiais que lutam por mediadores nas escolas.A pretexto de salvar a educação inclusiva, a secretária incluiu no edital de proteção emergencial profissionais como médicos, odontólogos, enfermeiros, motoristas, engenheiros civis, engenheiros eletricistas, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais e até mesmo jornalistas.

O absurdo ganha contornos ainda mais graves quando se analisa a origem funcional desse pessoal.Diversos dos servidores convocados pela SEMED estão lotados, na realidade, em estruturas totalmente alheias à Educação, como o Fundo Municipal de Saúde, o Fundo Municipal de Assistência Social, a SEMURB, SEMEL, SEMPROR, SEDEN e SEJUV.Trata-se de uma verdadeira redistribuição ilegal de favores políticos disfarçada de obediência judicial.

O ato da secretária configura um clássico desvio de finalidade.Um edital editado com o objetivo único e exclusivo de resguardar o apoio escolar foi desvirtuado para garantir a permanência de um ecossistema de contratados temporários que o município deveria enxugar por determinação do TCM/PA.Enquanto isso, o verdadeiro alvo da proteção judicial foi sumariamente ignorado.

A Conta Não Fecha: O Abandono dos Assistentes Pedagógicos

Para os defensores da transparência pública e da correta aplicação do dinheiro do povo, os números da SEMED revelam um cenário de caos planejado. Enquanto a Dra.Maura encontrou espaço para salvar engenheiros e jornalistas, ela assinou a demissão em massa de quem realmente importava.No Diário Oficial nº 1341, de 2 de junho de 2026, o governo descarregou uma lista de 1.513 distratos contratuais, atingindo em cheio 289 assistentes pedagógicos em pleno exercício.

O cruzamento de dados efetuado pelo gabinete da vereadora Maquivalda Barros expõe a crueldade matemática da manobra.Na folha de maio de 2026, a rede contava com 1.088 assistentes pedagógicos.Após os cortes, restaram apenas 799 em atividade.No famigerado Edital nº 004/2026, das 313 vagas, apenas 229 foram destinadas aos assistentes.Desse subtotal, 31 sequer haviam sido demitidos, o que significa que apenas 198 demitidos foram resgatados. O saldo final dessa equação imoral?Exatamente 91 assistentes pedagógicos essenciais permanecem jogados na rua da amargura, deixando dezenas de alunos com deficiência desamparados, violando flagrantemente a ordem expressa da Vara da Fazenda Pública.

Métrica de Pessoal (Educação Inclusiva) Quantitativo de Servidores

Profissionais protegidos pela ordem judicial de 08/06/2026

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1.088

Total de servidores convocados pelo Edital nº 004/2026-SEMED

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313

Cargos Estranhos / Alheios à função (Médicos, Engenheiros, Jornalistas, etc.)

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84

Assistentes Pedagógicos demitidos no facão de 02/06/2026

PDF+ 1

 

289

Assistentes Pedagógicos recontratados ou mantidos

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198

Assistentes Pedagógicos abandonados (Permanecem Demitidos)

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91