Parauapebas

Carnaval dos milhões: Gestão Aurélio Goiano distribui R$ 100 mil por escola de samba e improvisa R$ 5 mil para blocos

A equipe técnica do prefeito Aurélio Goiano enfrenta uma série de dificuldades administrativas que vêm se acumulando desde o início do governo em Parauapebas. Entre os problemas apontados estão o cancelamento de Processos Seletivos Simplificados (PSS), o aumento expressivo de compras diretas e decisões controversas, como a retirada de ônibus que atendiam crianças da rede pública. O cenário tem gerado críticas internas e externas à administração.

A mais recente polêmica envolve a organização do Carnaval 2026. Após anunciar mudanças no calendário da festa — que passou a ser realizado em pleno período da Quaresma — a prefeitura também alterou o local do evento, transferindo-o para o Lago do Nova Carajás. O espaço, segundo críticas de servidores e membros da sociedade civil, não possui estrutura mínima nem condições adequadas de segurança para receber o grande público esperado.

Dentro da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), o clima é de tensão. O secretário da pasta, Jhonata Santos, e sua equipe enfrentam dificuldades decorrentes de compromissos de campanha firmados pelo prefeito Aurélio Goiano. Conforme apurado, o chefe do Executivo teria centralizado 100% da execução do evento carnavalesco nas mãos de um empresário de Marabá, responsável por itens que vão desde abadás, palco e sonorização até materiais simples, como convites impressos em folhas A4.

Outra novidade que tem causado controvérsia é a forma de distribuição dos recursos públicos destinados às agremiações carnavalescas. Cada escola de samba deverá receber R$ 100 mil em incentivo financeiro. Já os blocos carnavalescos serão contemplados por meio de “premiação”, uma alternativa encontrada pela gestão após a equipe não conseguir elaborar um edital em tempo hábil. Cada bloco receberá R$ 5 mil dos cofres públicos.

O ambiente interno da Secult é descrito como de “fogo amigo”. Há disputas entre grupos e subgrupos dentro da secretaria, enquanto o prefeito pressiona para que a secretária adjunta, Josy Leal, assuma a linha de frente da organização do Carnaval. No entanto, segundo relatos, Jhonata Santos centraliza as decisões e não permite que a adjunta tenha acesso pleno à documentação e aos processos. Diante do impasse, o prefeito já teria ameaçado cancelar o Carnaval.

Outro ponto de desgaste envolve a contratação de artistas nacionais. O prefeito chegou a anunciar que o Carnaval contaria com grandes atrações, mas a Secult teria ultrapassado o limite de gastos previstos para o evento. Com isso, apenas o cantor Henry Freitas deverá se apresentar. O artista já havia recebido um sinal ainda em 2025, quando estava previsto como atração do aniversário da cidade, evento não aconteceu e o prefeito saiu mais uma vez como mentiroso.