Se dinheiro resolvesse tudo, a Câmara Municipal de Parauapebas seria exemplo nacional de eficiência. Com um orçamento anual de R$ 77.138.400,00, o Legislativo local nada em recursos — mas afunda na própria desorganização. Falta café, falta material de expediente e sobram problemas estruturais que escancaram a má gestão.
Servidores, já cansados de improvisar o básico, procuraram a redação nesta semana para denunciar o cenário. O que se vê é um prédio com goteiras, ar-condicionado sem funcionamento e setores inteiros sem itens essenciais para o trabalho diário. Em outras palavras: muito dinheiro no caixa e quase nada funcionando como deveria.
O contraste é gritante. A Câmara recebe mensalmente R$ 6.428.200,00 — cifra que deixa no chinelo o orçamento anual de mais de 100 municípios paraenses. Ainda assim, o café, símbolo clássico de qualquer repartição pública, virou artigo de luxo nos corredores do Legislativo.
E não é de hoje que a situação beira o constrangimento. Em 2025, os veículos oficiais passaram praticamente o ano todo com a documentação atrasada, numa demonstração clara de descontrole administrativo. Agora, em 2026, o problema mudou de forma, mas mantém a essência: falha de gestão.
Para piorar, parte do duodécimo do ano passado foi devolvida à Prefeitura por falta de uso. Isso mesmo: dinheiro sobrando porque ninguém soube — ou quis — aplicar. Enquanto isso, servidores trabalham no improviso e a estrutura física se deteriora diante dos olhos de todos.
A Camara Municipal de Parauapebas tem na mesa diretora os vereadores Anderson Moratorio (PRD), as vereadora Erika Ribeiro (PSDB) e Graciele Brito (União Brasil) e os vereadores Michel Carteiro (PV) e Zé da Lata (Avante). O comando da Casa está nas mãos do vereador Anderson Moratorio (PRD), o “Casca de Bala”, que saiu da base do prefeito Aurélio Goiano e migrou para a oposição em janeiro de 2026, após um racha político.
Diante desse cenário, o Portal Notícias de Parauapebas prepara uma série de reportagens especiais para detalhar os gastos do Legislativo municipal. A promessa é abrir a caixa-preta e mostrar onde está indo — ou deixando de ir — o dinheiro público.
Porque uma coisa é certa: com tanto recurso disponível, o que falta na Câmara não é orçamento. É gestão, prioridade e, ao que tudo indica, compromisso com o básico.