Governo de Aurélio Goiano deve entrar para história como o mais desafiador para a mineradora Vale e como aquele que deve deixar no município, especificamente na prefeitura, um buraco maior que o da mineração na Serra dos Carajás. Na campanha, o então candidato avisou que era “doido” e pediu que fizessem um teste com ele. O teste está sendo feito, e mais de 70% da população o reprova hoje
A mineradora multinacional Vale certamente nunca havia se deparado com uma gestão tão precária e difícil de lidar, em nível municipal, quanto a de Aurélio Goiano. Não bastassem os entraves que a empresa já enfrenta na seara industrial para licenciar seus projetos, ainda há a dificuldade de se relacionar com gestores públicos ruins e capazes de condenar gerações inteiras à ruína.
E pior: sem qualquer conteúdo que agregue e desprovidas de base técnica, as falas de Aurélio Goiano podem, no mais das vezes, atrapalhar e inibir a chegada ou a expansão de empreendimentos na região, inclusive da própria Vale, maior empregadora privada do interior do Pará e cuja massa salarial apenas em Parauapebas gira em torno de R$ 1 bilhão por ano.
Em Parauapebas, a Vale ainda retira muito ferro das minas de N4 e N5, mas estas já não rendem mais como outrora dado o ritmo acelerado de exaustão em que se encontram, e é por isso que os royalties estão em queda ano a ano. A empresa já chegou a retirar 144 milhões de toneladas de minério em Parauapebas, em 2016, produção que caiu a 78 milhões atualmente.
O desespero na Serra Norte de Carajás é tamanho que a mineradora está “futucando” até o rejeito depositado na barragem do Gelado, o que deve render 10 milhões de toneladas de minério comercializável. Entretanto, o volume é pouca coisa para os padrões Vale de produção.
A mineradora quer operar em breve os projetos de N1, N2 e N3. Mas o que pouca gente sabe, até mesmo técnicos dela, é que, se juntar o volume de minério economicamente viável nesses corpos, bem como em N6, N7, N8 e N9, ainda intactos, não haverá metade do que historicamente se teve em N4. É por isso que se diz que o minério de todas essas reservas vai esgotar a partir de 2034 até exaurir completamente, do ponto de vista comercial, em 2048. Cada reserva tem vida útil distinta nesse espectro de exaustão.
Vale deve resistir a ‘furacão Aurélio’
Em seu balanço global mais recente, entregue à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos em 27 de março deste ano, a Vale fez questão de detalhar que a reserva lavrável de minério de ferro ainda existente em todos os “enes” de Parauapebas soma 1,512 bilhão de toneladas (o que, extraindo-se 100 milhões de tonelada por ano, daria para apenas mais 15 anos).
Por outro lado, apenas os blocos C e D do complexo S11, em Canaã dos Carajás, têm 3,605 bilhões de toneladas, o que renderia lavra até 2067 — e olha que ainda existem os blocos A e B. Detalhe igualmente importante: o minério de Canaã tem pureza maior (teor de 65,3%) que o de Parauapebas (teor de 64,6%).
E não, a Vale não vai sair de Parauapebas. Agora não e ainda não. A empresa ainda deve sobreviver no município pelo resto da gestão daquele a quem a população classifica como “prefeito de um mandato só” e por, no mínimo, a mais outros quatro mandatos de chefes do Poder Executivo municipal.
Aurélio, no entanto, com suas “potocas” e críticas infundadas, deve entrar para a história como o gestor mais desafiador para a mineradora e como aquele que deve deixar no município, especificamente na prefeitura, um buraco maior que o da empresa na Serra dos Carajás. A conferir.