Parauapebas

Com ‘Doido’, mineração em colapso e caos, Parauapebas teve pior maio da história

Para completar, município ainda precisa conviver atualmente com desmandos de Aurélio Goiano, que se autodeclara “Doido” e é considerado pela população “o pior prefeito da história”. Com sua boca de sacola e suas falas vazias, prefeito joga n’água relações institucionais e azeda acordos com empresas que poderiam soerguer a Capital do Minério, como a Vale, que está indo de mala e cuia saborear o doce ferro de S11D, em Canaã, e o melado de cobre do Salobo, em Marabá

Não. Não adianta políticos ilusionistas que tentam fazer carreira em Parauapebas alardear por aí que os projetos de N1, N2, N3 ou quaisquer outros “enes” devolverão à Capital Minério sua aura pujante de outrora na indústria mineral porque não é verdade. E a mineradora multinacional sabe perfeitamente disso. E tanto sabe que se apressa para se expandir na vizinhança.

A menos que se descubra um novo Carajás, mais pomposo que o de S11D na vizinha Terra Prometida, a produção de minério de ferro em Parauapebas vai seguir em declínio, e eventuais novas minas serão apenas para reposição da produção atual, que continuará em queda livre até tudo findar na década de 40 deste século. A cobiçada Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) vai cair tanto — mesmo com N1, N2 e N3 — que a média mensal terá teto de R$ 20 milhões. E tudo isso em futuro brevíssimo, que se prepara para acontecer.

Os sinais estão postos. Em maio, a produção mineral de Parauapebas despencou a um nível tão baixo que, pela primeira vez desde que o município foi fundado, três localidades paraenses ultrapassaram-no na balança comercial. A Capital do Minério rendeu apenas 235,902 milhões de dólares, resultado sem paralelo desde 2015, ano do auge da crise internacional do ferro.

Mas, mesmo em maio de 2015, Parauapebas sagrou-se o 10º maior exportador do país, mantendo o bastão de 1º lugar no Pará. Agora, o cenário é outro: o município rolou para a 23ª colocação nacional e perdeu para Marabá, Canaã dos Carajás e Barcarena no Pará.

Mais que perder posições em ranking qualquer, o contexto atual mostra que Parauapebas terá de aprender a viver e conviver, de agora por diante, com o “novo normal”: Canaã dos Carajás e Marabá liderando a produção mineral no Brasil em ferro e cobre, respectivamente, faturando volumosas quantias de royalties de mineração, e a Capital do Minério vendo tudo isso acontecer dando milho aos pombos e, no máximo, apoio moral aos vizinhos.

Marabá na liderança

De forma inédita, Marabá roubou a cena da balança comercial em maio, fundamentado no sucesso comercial da produção de cobre da mina de Salobo, da Vale. O município exportou 546,408 milhões de dólares em commodities, superando até Canaã dos Carajás, que transacionou 545,128 milhões de dólares. A Capital do Cobre foi o 6º no geral, enquanto a Terra Prometida veio encostada, na 7ª posição.

Marabá exportou duas vezes e meia mais que Parauapebas. Isso, para leigos, como a classe política barulhenta da Capital do Minério, seria impossível de ocorrer, embora fosse sinal dado desde 2012, quando a mina de Salobo entrou no ar e, paralelamente, começou-se a difundir a exaustão das minas de ferro de Parauapebas.

Não existe ponto de retorno para salvar o município da ladeira abaixo na mineração. Ainda assim, há saídas para evitar um colapso financeiro, já que as finanças locais dependem em 75% hoje de receitas provenientes da indústria extrativa mineral e seus benefícios — como a Cfem e os impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Sobre Serviços (ISS).

A principal saída, e mais urgente de todas, é investir frontalmente no que a cidade nunca priorizou de verdade: educação, ciência, turismo e saneamento básico. Guardar dinheiro da Cfem em fundos, tendo Aurélio Goiano e sua trupe como gestores, é orientação arriscada. Não vai dar certo. Nunca.

Garantir o futuro de Parauapebas passa, primeiro, por promover qualidade de vida a seu povo, e isso só será alcançado com investimentos maciços em educação (mas não no modelo da “bagaceira” fomentada pela gestão atual); em ciência (aproveitando-se o potencial de recursos minerais, de fauna e flora que esta terra possui); em turismo inteligente (planejando atrativos ecológicos e sustentáveis para atrair interessados e curiosos); e em saneamento básico (para tirar a população da pocilga eterna de esgoto a céu aberto, o que escorraça investidores).

Não encarar essa dura realidade, que exige gestão e investimentos, é o mesmo que acreditar — como sempre foi — que o minério de ferro em Parauapebas vai durar mais 500 anos e que a bonança nunca chegará ao fim. Mera ilusão. O resultado da falsa crença, agora cruel e com um gestor destrambelhado para dar as cartas, começou a cobrar seu preço.